terça-feira, 10 de maio de 2011

Como Ansel Adams fez a sua foto mais famosa


Marc Silber, no Silber Studios.tv

Alguns anos atrás, tive o prazer e a honra de gravar diversas entrevistas com o filho de Ansel Adams, Michael, uma das quais na casa de Ansel.

Como você pode ver na foto acima, Michael (à direita) está me contando a história de como o seu pai registrou a icônica imagem "Moonrise Hernandez, New Mexico".

O que segue abaixo é um pedaço da entrevista que você não pode deixar de assistir completa (no final da postagem). Também não deixe de dar uma boa olhada nos seus livros.


Marc: Agora que estamos diante do grande destaque da sala, conte como foi feita esta foto.

Michael: Sim, este é o maior destaque da sala, provavelmente a foto mais famosa de Ansel Adams. E eu tive muita sorte de estar lá quando ela foi feita.

Eu tinha sete anos de idade (nota do BF: no site oficial de Ansel Adams, Marc diz que tinha oito anos) e nós estávamos voltando do norte para Santa Fé quando Ansel viu essa cena. Ele parou o carro rapidamente fora da estrada, saiu, nos chamou - Cedric Wright estava no banco da frente -, montamos o tripé e ele colocou a câmera nele. Em seguida, procurou o fotômetro, mas não encontrou.

(Nota do BF: no site de Ansel Adams, Marc dá mais detalhes desses momentos cruciais, reproduzindo o desespero do pai - "Rápido, rápido, rápido!! Pegue a caixa da câmera! Está ali embaixo! Onde está o tripé? Os estojos de filmes! Rápido! Onde está o fotômetro? Onde está o fotômetro? Oh, não, a luz está sumindo...! As coisas voavam para fora do carro, enquanto preparávamos o que Ansel precisava.)

Então, apostando que o brilho da lua estava em 250 candelas (unidade de medida de luminância), ele intuiu a exposição correta para a cena. Fez a primeira foto, trocou a chapa e quando estava pronto para fazer a segunda, toda a luz do primeiro plano (que iluminava o vilarejo) já havia desaparecido.

Marc: Incrível!

Michael: É, não foi nada bom. A coisa interessante sobre isso eu vou lhe mostrar daqui a pouco. Se você olhar a imagem original e comparar com esta aqui, vai notar uma grande diferença, e isso era parte da mágica de Ansel, o que ele conseguia fazer no laboratório.

Posso mostrar isso a você em poucos minutos no computador, mas não tenho os dados de como (ou quando) isso foi feito. Só sei que o céu nas últimas imagens aparece mais escuro do que em algumas das primeiras impressões.

Marc: Ele mudava quando fazia novas impressões?

Michael: Sim. De diversos modos, muitos dos contrastes ficaram melhores, o céu ficou mais escuro, outras partes da imagem também ficaram mais escuras nas últimas impressões comparadas com as primeiras.

Marc: Uma coisa que ele sempre falava é que o negativo era a partitura e a impressão era a performance da orquestra.

Michael: Sim, ele costumava usar esse sentido musical (nota do BF: Ansel Adams também era pianista) para explicar a transição do negativo para a imagem impressa (nota final do BF: sobre isso, Ansel Adams dizia que o negativo é a partitura da imagem que será interpretada no laboratório - atualizando para os dias de hoje, o arquivo RAW é a partitura da imagem que será interpretada no Photoshop).

Agora, assista o vídeo da minha visita à casa e ao laboratório de Ansel Adams, enquanto o filho Michael conta a história da foto mais famosa de seu pai.


Para saber mais sobre Ansel Adams, entre aqui e aqui.

Matéria traduzida e editada pelo Blog da Foto.

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2 Comments:

At 10:44 AM, Anonymous marina said...

Olá, Otacílio
Agradeço muito seu comentário em meu blog.
Fiz mais um post e estou no aguardo de suas imagens.

Obrigada mesmo.

Marina

 
At 12:59 PM, OpenID Ivan de Almeida said...

Muito interessante, não apenas a parte do tratamento que sabemos ser essencial da concepção dele de fotografia, como principalmente a dinâmica de estar pronto para capturar uma cena que vê de repente.

Penso que no desenvolvimento de uma fotografia certas possibilidades narrativas devem ser objeto de nossa preocupação, isto é, há uma possibilidade de aguçamento da narrativa que não é restrita à captura. Ele foi o grande mestre disso e nos ensina, não apenas os métodos de dodge&burn, mas isso: que a narrativa é reconstruída pela interpretação.

Parabéns pelo blog, gostei de tê-lo encontrado.
Ivan

 

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